Comportamento dos jovens é um dos desafios para conter o avanço da Covid-19

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Gravar vídeos curtos dos seus clientes que vendem lanches e salgados foi a primeira motivação de Ítalo Chagas, 22 anos, para ir às festas-paredão que se popularizaram no Arenoso após o início da pandemia. Mas ele logo pensou que o risco era o mesmo se ficasse 30 minutos fazendo seu trabalho ou passasse a noite inteira se divertindo no evento. Pensamentos do tipo têm gerado preocupação nos gestores e profissionais de saúde quanto à adesão dos jovens às medidas de controle da pandemia de Covid-19.

“Se eu vou para lá trabalhar, de qualquer forma eu vou estar exposto, então se tiver de acontecer, vai acontecer”, acredita Ítalo, sobre o risco de contrair o coronavírus. Ele admite que não há como adotar medidas preventivas no paredão, onde as máscaras são artigo raro. O jovem ressalta não ter como pagar suas despesas apenas com o trabalho fixo de promotor de vendas e, por isso, precisa ir ao evento para anunciar seus clientes nas mídias sociais e garantir renda extra.

Ítalo mora sozinho e arca com todas as contas da casa, incluindo aluguel. Ele garante não se sentir imune ao vírus e pensa que deve ter um quadro grave caso contraia, justamente pela exposição no cotidiano como promotor de vendas, indo de um lugar a outro todo o tempo e usando transporte público, embora sempre esteja de máscara. Como acredita não ter como aumentar sua própria proteção, ele preserva a mãe, que mora na vizinhança, reduzindo as visitas ao mínimo.

Na visão de Larissa Oliveira, 20, ela está mais exposta à Covid-19 trabalhando, como consultora de moda numa loja, do que nas festas dançantes que costuma frequentar nos finais de semana. A jovem mora com a mãe, que tem apenas 38 anos, e o irmão, e considera que um público de 100 pessoas, limite das festas, não significa aglomeração.

A consultora e estudante de odontologia ressalta que todos usam máscara até a entrada da casa de show, há medição de temperatura na porta e os locais têm diferentes espaços, como áreas VIPs. Mesmo quando se joga na dança, Larissa garante que mantém o distanciamento das demais pessoas. Além das festas, ela conta que também tem ido à praia e a bares.

Diferentes grupos

Mestranda em psicologia social e do trabalho, a psicóloga Luana Gomes Peixoto pondera que comportamentos de risco ocorrem em todas as faixas etárias, e, no caso da Covid-19, as diferenças podem estar relacionadas ao discurso dirigido a diferentes grupos. “Os idosos sendo tratados como grupo de risco desde o princípio, enquanto que os jovens eram colocados como aqueles que tinham que trabalhar para a economia não parar”, comenta.

Luana ressalta a heterogeneidade nos discursos sobre o vírus em virtude das descobertas feitas diariamente e da velocidade de propagação das informações, muitas vezes gerando narrativas ambíguas. Um exemplo dado pela psicóloga é o incentivo à retomada da vida ‘normal’ no que se refere ao trabalho, mas um apelo pelo isolamento quando a questão é o lazer.

“Diante de tantos discursos, as pessoas conseguem encontrar narrativas que confirmem as suas ideias, seja essa ideia qual for”, avalia a especialista. Segundo explica, o que diferenciaria os jovens nesse sentido é que suas habilidades de tomada de decisão e projeção de consequências se encontram ainda em fase de desenvolvimento.

Na sua avaliação, a comunicação com esse público deve adotar uma perspectiva de construção coletiva de soluções para os problemas, perpassando pela valorização da ciência e da construção do pensamento crítico. Luana ressalta que uma postura condenatória do comportamento dos jovens acaba por gerar preconceito e limitar as possibilidades de aprendizado.

Máximo de isolamento

No estágio atual da pandemia, a indicação da epidemiologista Júlia Pescarini, uma das coordenadoras da Rede CoVida, é que pessoas de qualquer idade mantenham o máximo de isolamento social possível. Conforme boletim epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria da Saúde do Estado, 2.310 novos casos foram registrados nas 24 horas anteriores.

Para aqueles que não conseguirem abrir mão de algum grau de socialização presencial, a recomendação da especialista é restringir os encontros a grupos bem pequenos e evitar locais fechados, além de permanecer com máscara, tirando apenas se for se alimentar.

Um piquenique no parque ou uma caminhada na praia, sempre buscando manter o distanciamento, são opções apontadas por Júlia. Ela também recomenda um espaçamento de duas semanas entre esses pequenos encontros com amigos, mesmo que o grupo seja mantido. Com esse intervalo, caso alguém apresente sintomas ou tenha o diagnóstico de Covid-19, há tempo de avisar aos demais para que também adotem medidas que possam deter uma eventual cadeia de transmissão do vírus.

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