A capital baiana deu mais um passo, nesta sexta-feira (10), para consolidar a transição rumo à mobilidade de baixa emissão de poluentes. Reunidos no auditório da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), integrantes do Grupo de Trabalho do Plano Cicloviário participaram do Workshop de Alinhamento Estratégico do programa Mutirão Brasil. O objetivo é estruturar o projeto que servirá como piloto para a expansão da malha cicloviária da cidade.
Salvador é hoje o único município brasileiro com dois projetos selecionados pelo Mutirão Brasil, iniciativa liderada pela C40 Cities, rede internacional de cidades voltada ao combate às mudanças climáticas, e pelo Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia. Além das ciclovias, a capital também recebe suporte para a eletrificação de 50% da frota do BRT. O Mutirão Brasil não prevê repasse direto de recursos, mas oferece apoio técnico para viabilizar os projetos, incluindo a indicação de possíveis fontes de financiamento.
O secretário municipal de Mobilidade destacou a importância da cooperação técnica para o sucesso da iniciativa. Segundo ele, o trabalho envolve diversos órgãos para garantir um avanço coordenado e vai além da construção de novas vias. “Isso passa também pela qualificação da rede existente e pela definição de prioridades claras. Nosso objetivo é consolidar a bicicleta como um elemento estruturante da mobilidade urbana, contribuindo para uma cidade mais acessível, sustentável e resiliente às mudanças climáticas”, afirmou.
Atualmente, Salvador conta com pouco mais de 300 km de infraestrutura cicloviária. A meta estabelecida no Plano Cicloviário, entregue em 2024, é atingir 700 km até 2034. De acordo com Guillermo Petzhold, o desafio é grande, mas o apoio internacional será determinante para alcançar essa meta. “O principal objetivo deste encontro é definir uma visão norteadora para esse projeto, que será apoiado pelo programa. A partir disso, estamos tomando decisões sobre qual infraestrutura cicloviária será priorizada e traçando um caminho crítico, com as etapas necessárias para alcançar essa visão e garantir o sucesso da iniciativa, que beneficiará os ciclistas soteropolitanos”, explicou.
Ainda segundo ele, no caso desse projeto específico do Mutirão Brasil, o prazo é o primeiro semestre de 2027. A iniciativa funcionará como um projeto-piloto, que deve orientar a expansão dos cerca de 400 km restantes necessários para que a cidade atinja a meta prevista no plano cicloviário.
“Esse encontro faz parte desse programa, que vai apoiar um projeto específico de infraestrutura cicloviária, pensado como modelo para futuras replicações. A proposta é que esse projeto incorpore soluções baseadas na natureza e conecte áreas de grande fluxo de pessoas a terminais de transporte público”, completou.
Um dos pontos altos do dia foi a discussão sobre qual conexão cicloviária será priorizada para receber a assessoria técnica internacional. Assessora especial do Plano de Mobilidade da Semob, Manuela Accioly apresentou duas opções de alta complexidade técnica e logística: a região da Estação da Lapa e o eixo Iguatemi/Acesso Norte.
“O que estamos fazendo aqui é priorizar uma conexão cicloviária na cidade para que ela receba apoio técnico dentro do programa. A partir dessa definição, a ideia é usar esse modelo e expandi-lo para outras conexões. No entanto, o comitê tem uma série de outras responsabilidades. O plano inclui diagnóstico, propostas de expansão e diversas frentes de atuação. A partir de agora, esse grupo passa a acompanhar de perto essas agendas para garantir o avanço da implantação”, destacou.


