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Segundo turno: Flávio Bolsonaro contesta resultado da eleição e anuncia pedido de anulação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para o mandato de 2027 a 2030, após vencer o segundo turno das eleições presidenciais realizado no domingo (25/10/2026). O resultado foi confirmado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques. A disputa, entretanto, passou a ser marcada por questionamentos do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado, sobre os procedimentos eleitorais, enquanto autoridades investigam denúncias de dificuldades de transporte público que podem ter prejudicado eleitores.

Na segunda-feira (26/10/2026), o TSE rejeitou a acusação de que fiscais do Partido Liberal (PL) teriam sido expulsos da chamada sala-cofre durante a apuração. Paralelamente, a Polícia Federal (PF) informou que investiga possíveis irregularidades na circulação de ônibus em cinco estados. Os episódios ampliaram o debate sobre a organização do pleito, a atuação das instituições eleitorais e as condições de acesso dos cidadãos às urnas.

Em pronunciamento após a divulgação do resultado, Flávio Bolsonaro afirmou que não reconheceria a vitória de Lula e que recorreria à Justiça para pedir a anulação da eleição. O senador atribuiu sua contestação à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação até as 19h em seções que ainda permaneciam abertas. A medida foi adotada diante de relatos de dificuldades no transporte de eleitores.

TSE confirma vitória de Lula e divulga balanço das eleições

Kassio Nunes Marques confirmou a reeleição de Lula na noite de domingo (25/10/2026), durante entrevista na sede do TSE, em Brasília. Segundo os dados divulgados pela Justiça Eleitoral, o presidente reeleito obteve 51,79% dos votos válidos e venceu Flávio Bolsonaro por aproximadamente 4,4 milhões de votos. O novo mandato presidencial terá início em 2027 e terminará em 2030.

O presidente do TSE informou que entrou em contato com os dois candidatos para comunicar o resultado. Ao se referir a Flávio Bolsonaro, disse que o parabenizou pela campanha. Em relação a Lula, registrou a vitória nas urnas e destacou a trajetória política do presidente, que venceu quatro disputas presidenciais, conforme declarou o ministro.

No balanço do segundo turno, Nunes Marques afirmou que aproximadamente 128 milhões de eleitores exerceram o direito ao voto. A abstenção ficou em 19,21%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno. O ministro também destacou o trabalho da Justiça Eleitoral e afirmou que as dificuldades relatadas por eleitores seriam objeto de apuração, especialmente nos casos relacionados à oferta de transporte público.

Flávio Bolsonaro contesta resultado e anuncia pedido de anulação

Na noite de domingo (25/10/2026), Flávio Bolsonaro declarou que não reconheceria o resultado das urnas e que utilizaria os meios jurídicos disponíveis para solicitar a anulação do pleito. O senador sustentou que a extensão do horário de votação teria alterado as condições da disputa e levantou dúvidas sobre a aplicação da medida em diferentes localidades.

O argumento central do candidato derrotado foi a decisão de Cristiano Zanin, ministro do STF, que determinou a prorrogação da votação até as 19h. Flávio criticou o momento em que a decisão foi tomada e questionou a possibilidade de tratamento desigual entre eleitores de localidades nas quais as urnas já haviam sido fechadas e aquelas em que a votação continuou.

A prorrogação, contudo, foi solicitada diante de relatos de dificuldades no transporte de eleitores e atendeu a pedidos relacionados às duas candidaturas. A campanha de Lula recorreu à Justiça Eleitoral para pedir a extensão do horário, e a candidatura de Flávio também havia solicitado a medida. Após receber informações de que diversas urnas já estavam fechadas, Zanin esclareceu que a continuidade da votação deveria ocorrer apenas nas seções que permaneciam abertas. Os votos registrados nas urnas já encerradas seriam computados normalmente.

TSE rejeita acusação sobre fiscais na sala-cofre

Na segunda-feira (26/10/2026), o Tribunal Superior Eleitoral classificou como falsa a afirmação de Flávio Bolsonaro de que fiscais do PL teriam sido expulsos da sala-cofre durante a apuração. Em manifestação oficial, a Corte explicou que a sala-cofre não é aberta à visitação, diferentemente de outros ambientes destinados ao acompanhamento dos procedimentos eleitorais.

Segundo o TSE, dois fiscais do PL estiveram na sede do tribunal, em Brasília, e acompanharam o Teste de Integridade das Urnas, realizado no subsolo do edifício. Eles também tiveram acesso à Sala de Totalização e à Sala dos Partidos Políticos, localizada no quinto andar.

A Justiça Eleitoral afirmou que registros de presença e imagens da Sala de Totalização comprovam o acesso dos representantes partidários aos espaços permitidos. O tribunal ressaltou que fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e integrantes do Ministério Público podem acompanhar a totalização e a divulgação dos resultados nos ambientes destinados a essa finalidade. A manifestação contradiz a alegação apresentada pelo senador, mas não impede que eventuais questionamentos formais sejam examinados pelas instâncias competentes.

Nunes Marques afirma que decisão de Zanin dificultou o processo eleitoral

Durante a entrevista coletiva de domingo (25/10/2026), Kassio Nunes Marques afirmou que a decisão de ampliar o horário de votação criou dificuldades operacionais para a organização do segundo turno. Segundo o presidente do TSE, a determinação chegou após as 17h, horário previsto para o encerramento da votação, em um contexto no qual parte das seções eleitorais já havia concluído os procedimentos de fechamento.

O ministro declarou que não havia precedente de prorrogação do horário de votação daquela forma e que, ao receber o pedido, buscou informações técnicas junto às prefeituras e aos tribunais regionais eleitorais. Ele também afirmou que não pretendia fazer críticas à decisão do STF, embora tenha ressaltado que uma medida dessa natureza exige planejamento e organização.

Nunes Marques acrescentou que o TSE conseguiu dar continuidade à apuração após ajustar os procedimentos às determinações judiciais. Segundo ele, não houve alteração dos votos já registrados e a totalização prosseguiu após a definição das regras aplicáveis às seções ainda abertas. O ministro reiterou que a Justiça Eleitoral tinha segurança quanto ao processo de apuração e divulgação dos resultados.

PF investiga possível prejuízo ao voto por redução de ônibus

A Polícia Federal informou, na segunda-feira (26/10/2026), que investiga se problemas na circulação de ônibus durante o segundo turno prejudicaram o deslocamento de eleitores. As apurações envolvem ocorrências em Sergipe, São Paulo, Bahia, Alagoas e Piauí. Em Sergipe, foi instaurado inquérito policial para investigar a situação.

De acordo com a PF, os investigadores procuram esclarecer as circunstâncias da redução das frotas de ônibus e verificar se a diminuição do serviço impediu ou dificultou o comparecimento dos cidadãos às seções eleitorais. As diligências incluem coleta de informações, oitivas e atuação conjunta com tribunais regionais eleitorais, Ministério Público Eleitoral e outras forças policiais.

A investigação considera o artigo 297 do Código Eleitoral, que prevê sanções para quem impedir ou embaraçar o exercício do voto. A eventual responsabilização dependerá da apuração dos fatos e da identificação de condutas que se enquadrem na legislação. Até a divulgação das informações, as ocorrências permaneciam sob investigação, sem conclusão definitiva sobre a extensão dos prejuízos aos eleitores.

Transporte público motivou pedido de extensão do horário

As denúncias de redução na circulação de ônibus contribuíram para o pedido de prorrogação do horário de votação. A campanha de Lula relatou dificuldades em diferentes estados e recorreu à Justiça Eleitoral para solicitar que a votação fosse estendida até as 19h. Diante da situação, o ministro Cristiano Zanin determinou a ampliação do prazo, posteriormente ajustada para preservar os votos já registrados nas urnas fechadas.

O TSE informou que a medida foi cumprida conforme as orientações judiciais e que as seções ainda abertas permaneceram em funcionamento pelo período determinado. Nunes Marques afirmou que os relatos sobre insuficiência de transporte seriam apurados, uma vez que a garantia das condições de acesso às urnas integra as responsabilidades da Justiça Eleitoral.

A Polícia Federal também informou que, até o início da noite de domingo, havia aberto três inquéritos, lavrado 44 termos circunstanciados e conduzido 56 pessoas a delegacias em ocorrências relacionadas a possíveis crimes eleitorais. Segundo os dados divulgados, os casos incluíam suspeitas de violação do sigilo do voto, propaganda irregular e desobediência eleitoral. Esses registros abrangem diferentes ocorrências e não devem ser confundidos com uma conclusão sobre fraude ou irregularidade capaz de alterar o resultado presidencial.

Urnas substituídas e participação internacional integram balanço do TSE

No balanço operacional, Kassio Nunes Marques informou que, de um total de aproximadamente 499 mil urnas eletrônicas, 1.551 precisaram ser substituídas durante o processo eleitoral. O número corresponde a cerca de 0,31% do total, segundo os dados apresentados pelo ministro.

Nunes Marques também afirmou que o TSE recebeu observadores internacionais para acompanhar o pleito e que a participação deles reforçou a transparência dos procedimentos. O presidente da Corte declarou que não foi registrada interferência externa na eleição nacional.

A confirmação do resultado pelo TSE e as manifestações posteriores evidenciam duas frentes distintas: de um lado, a conclusão oficial da apuração, que declarou Lula reeleito; de outro, os questionamentos apresentados por Flávio Bolsonaro e as investigações sobre possíveis dificuldades de transporte e ocorrências eleitorais. Até o momento das informações divulgadas, as acusações do senador não haviam produzido alteração oficial do resultado, e as apurações da PF ainda dependiam da conclusão das diligências.

Conclusão: resultado confirmado, contestação anunciada e investigações em andamento

A reeleição de Lula para o período de 2027 a 2030 foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral após a vitória por aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro. O senador anunciou que pretende pedir a anulação do pleito, questionando a prorrogação do horário de votação, enquanto o TSE rejeitou a acusação sobre a retirada de fiscais da sala-cofre.

Paralelamente, a Polícia Federal investiga possíveis prejuízos ao deslocamento de eleitores em cinco estados. As apurações ainda não têm conclusão definitiva, e os questionamentos apresentados pelo candidato derrotado devem ser distinguidos dos fatos oficialmente confirmados pela Justiça Eleitoral e das investigações policiais em andamento.

Foto: Reprodução/ Youtube

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