A 19ª edição do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (FLIFS) chegou ao fim neste domingo (30) ao som de música e diante de uma plateia que ocupou o espaço do evento para acompanhar as apresentações de Márcia Porto e Armandinho. Considerado o show mais aguardado da tarde, o cantor encerrou a programação musical da edição. Ao todo, mais de 77 mil pessoas pessoas passaram pelo festival durante os seis dias.
O encerramento começou com a apresentação de Márcia Porto, que levou sua música ao palco do FLIFS e preparou o público para a atração principal do final da tarde. A cantora ressaltou a importância de participar de um evento que aproxima a produção cultural da comunidade e destacou a emoção de ser homenageada durante a programação.
”Receber essa homenagem é muito emocionante e me traz uma sensação de nostalgia. É um imenso orgulho saber que contribuí para a música e a arte da minha cidade”, disse Márcia Porto
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No final da tarde, Armandinho assumiu o palco e encontrou um público disposto a cantar junto os sucessos que marcaram sua trajetória. A apresentação trouxe para o encerramento uma atmosfera de festa e reuniu diferentes gerações em torno da música. Para Armandinho, o repertório apresentado carrega parte importante da história da música baiana que permanece viva na memória do público.
”São músicas que a gente fez no decorrer dessa história, que estão presentes até hoje nesse consciente coletivo, e a gente faz uma grande festa”, declarou o cantor.
A despedida musical foi o ponto final de uma edição que, durante seis dias, colocou Feira de Santana no centro de uma agenda dedicada à literatura e às manifestações culturais. O festival recebeu escritores, jornalistas, músicos, estudantes, professores, artistas e produtores culturais, criando oportunidades de encontro entre quem produz conhecimento e arte e quem acompanha essas produções.
Entre os nomes que participaram da programação estiveram Thalita Rebouças, Tia Má, Jessé Souza, Jéssica Senra, Roberta Sá e Maryzelia, além de outros convidados. As participações ampliaram os temas discutidos no evento e aproximaram a literatura de assuntos como educação, comunicação, jornalismo, sociedade, representatividade e música.
A diversidade de convidados também refletiu a proposta de alcançar públicos distintos. Escritores dialogaram diretamente com leitores, artistas dividiram experiências sobre suas trajetórias e jornalistas participaram de discussões sobre comunicação e representação. O resultado foi uma programação que transitou entre diferentes linguagens sem perder a literatura como eixo central.
Além dos grandes nomes, o festival abriu espaço para iniciativas que fazem parte da produção cultural e educacional da cidade. Apresentações de escolas levaram estudantes para dentro da programação, transformando o espaço do evento em ambiente de participação e aprendizagem.
Para as crianças, a Flifinha ofereceu atividades específicas, criando um primeiro contato ou fortalecendo uma relação já existente com livros, histórias e outras manifestações artísticas. A presença do público infantil contribuiu para ampliar o alcance do festival para além dos leitores já habituais.
A cultura popular também ganhou espaço. Na Praça do Cordel, versos, rimas e apresentações de cordelistas aproximaram os visitantes de uma tradição que atravessa gerações e permanece presente na identidade cultural nordestina. O espaço reforçou a presença da oralidade e da poesia popular em meio à programação contemporânea do festival.
Os livros, por sua vez, permaneceram no centro da experiência. Os estandes reuniram obras de diferentes gêneros e autores e possibilitaram aos visitantes circular pela feira, conhecer novos títulos e adquirir publicações. Os lançamentos realizados durante a semana também proporcionaram aos escritores momentos de contato direto com seus leitores.
A programação contou ainda com Feira de Artesanato, ampliando a presença da economia criativa e de trabalhos produzidos por artesãos. Dessa forma, o visitante encontrou no mesmo espaço literatura, produção manual, música, poesia e atividades educativas.
Para Taíse Bonfim, pró-reitora da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), a dimensão alcançada pela edição demonstra a importância de manter espaços que aproximem a população da cultura e do conhecimento.
”O FLIFS representa cultura, arte e literatura. Um dos pontos que destaco é a variedade da programação. Este ano, trouxemos o cosplay, que foi um sucesso entre os jovens e veio para quebrar tabus”, destacou Taíse.
A experiência também foi percebida por quem acompanhou o evento como visitante. Ao longo dos seis dias, famílias, estudantes, professores e leitores circularam pelos diferentes espaços, participando das atividades e acompanhando as atrações.
”O evento contribuiu para a formação dos jovens ao promover o acesso à cultura, à arte e à educação. Também percebi um protagonismo muito importante da cultura nordestina, que esteve presente em diferentes momentos da programação. Esta edição do FLIFS foi nota mil”, relatou o professor Leandro Maciel
Mais do que concentrar atrações em um único espaço, o FLIFS estabeleceu, ao longo da edição, uma ponte entre diferentes formas de produção cultural. O encontro entre autores e leitores dividiu espaço com o cordel, a música, o jornalismo, o artesanato e as atividades escolares, mostrando que o acesso à cultura pode acontecer por diferentes caminhos.
A participação de nomes conhecidos nacionalmente ao lado de artistas, escritores e representantes da produção cultural regional também contribuiu para essa diversidade. O festival criou um ambiente em que uma criança podia descobrir uma história na Flifinha, um leitor conhecer um novo autor nos estandes, um estudante participar de uma atividade escolar e, algumas horas depois, acompanhar um grande show.Foi nesse ambiente de encontros que o festival encerrou sua 19ª edição.
Sobre o FLIFS
O Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (FLIFS), reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia, é um dos maiores eventos literários do estado. Realizado anualmente desde 2007, o festival promove o livro, a leitura e as diversas manifestações culturais, com destaque para a formação de novas gerações de leitores, contação de histórias, cordel, oficinas, lançamentos de livros e apresentações musicais. O FLIFS foi a primeira feira literária da Bahia e completa 19 anos de história em 2026.
A realização é da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e do Sesc Feira de Santana. A organização conta com a parceria da Arquidiocese de Feira de Santana, Prefeitura Municipal de Feira de Santana, Secretaria Estadual de Educação (NTE 19), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Instituto Federal da Bahia (IFBA) – Campus Feira. O patrocínio é da Câmara Municipal de Feira de Santana e da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O apoio é da Fundação Pedro Calmon e do Estado da Bahia.
Foto: Divulgação


